Alterações na tireoide e deficiências de nutrientes estão entre as condições que podem estar relacionadas a manifestações como cansaço, irritabilidade e desânimo
O Setembro Amarelo coloca a saúde mental em evidência e reforça a importância de perceber mudanças no humor, no comportamento e na disposição. Contudo, sintomas como ansiedade, cansaço, irritabilidade e desânimo nem sempre têm origem exclusivamente emocional. Em algumas situações, alterações no organismo também podem contribuir para essas manifestações e precisam ser consideradas na avaliação do paciente.
De acordo com Marcus Machado (CRF-BA 2464), farmacêutico bioquímico e diretor técnico do IHEF Laboratório, do Grupo Meddi, corpo e mente estão diretamente relacionados. “Existe uma relação direta e bidirecional entre a saúde física e a saúde mental. O estado do corpo afeta o cérebro e a condição da mente altera o funcionamento físico”, explica.
Essa relação pode fazer com que alterações físicas se manifestem de maneira semelhante a quadros de estresse ou depressão. Por isso, alguns sinais merecem atenção. Segundo Marcus, a investigação de possíveis causas físicas pode ser indicada quando ansiedade, cansaço ou desânimo surgem de forma repentina, sem um gatilho emocional evidente, e persistem mesmo após o repouso adequado ou aparecem acompanhados de outros sinais físicos.
Entre as condições que podem estar relacionadas a esses sintomas estão alterações na função da tireoide e deficiências nutricionais. Mudanças nos níveis dos hormônios tireoidianos podem repercutir na disposição e no humor, enquanto alterações relacionadas à vitamina B12 e ao ferro podem estar associadas a fadiga e dificuldade de concentração.
Exames ajudam a identificar possíveis alterações
Nesse processo, os exames laboratoriais podem complementar a avaliação médica. Hemograma, ferritina, ferro, vitamina B12, vitamina D 25-OH, cortisol, TSH e T4 livre estão entre os exames que podem ser utilizados, conforme os sintomas e o histórico de cada paciente.
A escolha dos exames varia de acordo com cada caso e os resultados precisam ser analisados junto às informações clínicas. Dessa forma, é possível verificar se há alguma alteração que possa estar contribuindo para os sintomas e definir a conduta mais adequada.
Porém, a investigação de possíveis alterações físicas não substitui o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando indicado. As diferentes formas de cuidado podem se complementar, principalmente diante de sintomas persistentes ou sem uma explicação evidente.
Para Marcus, identificar possíveis alterações logo no início também pode fazer diferença na condução do caso. “O diagnóstico precoce é fundamental para evitar o agravamento desses sintomas, impedir danos à saúde física e garantir que o paciente não receba tratamentos inadequados”, conclui.
