Especialista explica como hábitos cotidianos podem interferir nas análises e quais cuidados adotar antes da coleta
O preparo para exames de sangue exige atenção a hábitos que podem passar despercebidos na rotina. A prática de exercícios físicos intensos, o consumo de bebidas alcoólicas e o uso de medicamentos e suplementos são alguns dos fatores que podem alterar determinados parâmetros e influenciar os resultados.
Segundo explica Marcus Machado (CRF-BA 2464), farmacêutico bioquímico e diretor técnico do IHEF Laboratório, do Grupo Meddi, ficar mais tempo sem comer não significa necessariamente estar mais bem preparado para a coleta. Tanto o jejum insuficiente quanto o prolongado podem afetar determinadas medições. O mesmo vale para a prática de exercícios intensos, que pode provocar alterações temporárias nos indicadores laboratoriais, e para o consumo de álcool e tabaco, capaz de modificar parâmetros como triglicerídeos e glicose.
Outro cuidado envolve os suplementos, especialmente os que contêm biotina, vitamina encontrada em produtos para cabelos e unhas. Dependendo do método utilizado pelo laboratório, a substância pode interferir em exames hormonais, como os de TSH e T4 livre, e levar a resultados incorretos.
Por isso, informar à equipe quais medicamentos, vitaminas e suplementos fazem parte da rotina é fundamental para a avaliação dos resultados. A suspensão de qualquer tratamento, porém, só deve ocorrer sob orientação profissional.
A atenção ao preparo também se estende à coleta de urina. Quando a higiene não é feita adequadamente, a amostra pode ser contaminada e comprometer a investigação de uma possível infecção urinária. Seguir as instruções fornecidas pelo laboratório ajuda a evitar esse tipo de interferência e, em alguns casos, a necessidade de repetir o exame.
Marcus também destaca que dúvidas sobre jejum, consumo de água e uso de medicamentos devem ser esclarecidas antes da coleta. Se alguma recomendação não tiver sido seguida, é importante comunicar o ocorrido à equipe, em vez de omitir a informação.
O registro dessas situações faz parte dos cuidados necessários para garantir a segurança do paciente e a confiabilidade dos resultados. “O laboratório deve adotar uma conduta padronizada de registro e comunicação para garantir a segurança do paciente e a confiabilidade do diagnóstico” conclui o especialista.
